Não é uma doença, e sim um sintoma. Pode representar a manifestação de vários distúrbios.
O que é constipação?
Constipação é uma condição na qual a frequência ou quantidade de defecação é reduzida’. De uma forma geral, ela é caracterizada por fezes endurecidas e pequenas, com dor e dificuldade na evacuação, há mais de três meses, associado ou não ao comportamento de retenção, perda fecal (perda involuntária das fezes), raias de sangue nas fezes e aumento no intervalo entre as evacuações2.
Porque o intestino fica preso?
A causa envolve a interação de vários fatores. Acredita-se que fatores constitucionais e hereditários, alimentares, psicológicos ou emocionais, associados ou não a distúrbios da motilidade intestinal, anomalias anorretais e disfunções neurológicas possam estar envolvidos na sua origem3.4.
Alguns medicamentos podem causar, como os antidepressivos, antitussígenos, analgésicos opiáceos (codeína, morfina), antiparkinsonianos, anti-hipertensivos, antiácidos contendo alumínio e preparados com cálcio2.
Outras causas: processos inflamatórios e tumores do intestino grosso, reto ou ânus, problemas da tireóide, hipercalcemia (excesso de cálcio no sangue), gravidez, diabetes melitus/ insipidus e senilidade.

Como tratar a constipação?
O tratamento da constipação visa aliviar ou eliminar os sintomas já instalados e prevenir ou minimizar a ocorrência de suas complicações. As metas são obtidas pela desimpactação das fezes quando necessário, recondicionamento do hábito intestinal normal e prevenção da reimpactação.
Orientações gerais
O tratamento da constipação inclui mudanças na alimentação e o aumento na ingestão de líquido, educar o intestino e criar uma rotina para ir ao banheiro. Isto pode ser obtido através de algumas dicas’:
Ingestão de água – pelo menos quatro copos de água por dia, para manter a hidratação do corpo e propiciar o bom funcionamento do intestino.
Ter horário para ir ao banheiro – para condicionar o intestino a funcionar corretamente. Preferir após as principais refeições.
Atividade física regular – recomenda-se tal prática para adultos e crianças. Nota-se que pessoas mais ativas, que fazem caminhadas, brincadeiras ou exercícios regulares, têm pouca chance de ficar constipadas.
Ingestão de quantidades maiores de fibras – as fibras estão presentes nos alimentos vegetais, aumentam o volume das fezes, aceleram o movimento do intestino e diminuem o tempo que os alimentos digeridos permanecem nesse órgão. Fibras: maior concentração nas leguminosas (feijão, grão-de-bico. ervilhas, lentilhas, soja), nos cereais compostos, nos cereais integrais (arroz, milho, aveia, farinha de trigo, farelo de trigo, germe de trigo, milho de pipoca estourado), verduras, frutas “in natura” (abacate, ameixa preta seca, figo, kiwi. laranja, mamão, manga, uva, uvas passas secas), folhas (agrião, brócolis, couve e espinafre). Sementes oleaginosas: seu maior benefício é a lubrificação intestinal (nozes, avelãs, amêndoas, castanhas, amendoim e pistache) Substituir parte da farinha de trigo, no preparo de bolos, por aveia, farelo de aveia ou de arroz.
Medicações – quando usar?
Nas pessoas com constipação grave ou complicada (perda fecal, comportamento de retenção) é necessário o uso de laxantes e procinéticos (estimulantes dos movimentos intestinais)2. Existem vários tipos de laxantes e devem ser usados sob orientação médica.
O esvaziamento do fecaloma (massa fecal endurecida e seca na barriga) é realizado pelo uso de enemas2.
Como se previne?
Educação e reeducação alimentar e de hábitos para evacuar com regularidade. Ingestão de fibras regularmente. Tratamento ou controle de doenças subjacentes locais ou sistémicas, além da revisão dos medicamentos, principalmente, os de uso contínuo.
Atividade física regular.
Referências Bibliográficas: 1) Mahan LK, Escott-Stump. S Alimentos Nutrição e Dietoterapia. 9 ed. São Paulo: Roca 1998. 2) Morais MB. Constipação Crônica em Pediatria. Prado FC, Ramos J, Valle JR, .eds Atualização Terapêutica 2005: manual prático de diagnóstico e tratamento. São Paulo: Editora Artes Médicas, 2005: 1467-69.3 Aguirre ANC, Vitolo MR, Puccini RF. Moraes MB Constipation in infants: influence of type of feeding and dietary fiber intake. J Pediatr (Rio J), 2002, vol 78, no.3, p.202-208: 4 Ambrogini-Junior O. Obstipação Intestinal Crônica. Como Diagnosticar e Tratar. Ver Bras Méd., Edição Especial, Dez, 2003.
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